{"id":1551,"date":"2026-04-07T10:19:48","date_gmt":"2026-04-07T13:19:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1551"},"modified":"2026-04-07T10:19:48","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:48","slug":"o-que-esta-em-jogo-ao-fazermos-dieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1551","title":{"rendered":"O que est\u00e1 em jogo ao fazermos dieta?"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c0 parte os benef\u00edcios para a sa\u00fade, ao fazermos dieta, raramente est\u00e1 em jogo apenas a alimenta\u00e7\u00e3o. O que se mobiliza \u00e9 um conjunto complexo de sentidos que envolve o corpo, a identidade, o afeto e <strong>o lugar que ocupamos socialmente<\/strong>. Em muitas culturas, a dieta aparece como <strong>promessa de controle <\/strong>e corre\u00e7\u00e3o do corpo, como se fosse poss\u00edvel resolver conflitos emocionais, inseguran\u00e7as e sofrimentos ps\u00edquicos por meio da disciplina alimentar. Assim, comer deixa de ser apenas um ato de nutri\u00e7\u00e3o e passa a carregar culpa, m\u00e9rito, sucesso, fracasso ou puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista psicol\u00f3gico, a dieta frequentemente ativa rela\u00e7\u00f5es profundas com o desejo, a falta e a autoimagem. Restringir a comida pode ser vivido como tentativa de recuperar controle em momentos de instabilidade emocional, luto ou sensa\u00e7\u00e3o de desordem interna. Ao mesmo tempo, dietas r\u00edgidas tendem a intensificar a obsess\u00e3o pelo alimento e a percep\u00e7\u00e3o de fracasso quando o corpo n\u00e3o responde como o esperado, refor\u00e7ando ciclos de culpa e autodeprecia\u00e7\u00e3o (Polivy &amp; Herman, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Socialmente, fazer dieta tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de se alinhar a <strong>normas culturais<\/strong> que associam magreza a valor, sucesso e sa\u00fade. O corpo que \u201cfaz dieta\u201d sinaliza esfor\u00e7o, responsabilidade e autocontrole, enquanto o corpo que n\u00e3o emagrece \u00e9 frequentemente estigmatizado. Nesse sentido, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas o peso, mas o reconhecimento social e a <strong>tentativa de pertencimento<\/strong>. Questionar a dieta, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m questionar os padr\u00f5es que transformam o cuidado com o corpo em exig\u00eancia moral, deslocando o foco do controle para a escuta, do castigo para o cuidado e da est\u00e9tica para a sa\u00fade integral. Isso \u00e9 o que me parece estar em jogo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>POLIVY, J.; HERMAN, C. P. If dieting makes people fat. American Psychologist, 2002.<br>BORDO, Susan. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/6pQLxLs\">Unbearable weight<\/a>. Berkeley: University of California Press, 1993.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 parte os benef\u00edcios para a sa\u00fade, ao fazermos dieta, raramente est\u00e1 em jogo apenas a alimenta\u00e7\u00e3o. O que se mobiliza \u00e9 um conjunto complexo de sentidos que envolve o corpo, a identidade, o afeto e o lugar que ocupamos socialmente. Em muitas culturas, a dieta aparece como promessa de controle e corre\u00e7\u00e3o do corpo, como se fosse poss\u00edvel resolver conflitos emocionais, inseguran\u00e7as e sofrimentos ps\u00edquicos por meio da disciplina alimentar. Assim, comer deixa de ser apenas um ato de nutri\u00e7\u00e3o e passa a carregar culpa, m\u00e9rito, sucesso, fracasso ou puni\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista psicol\u00f3gico, a dieta frequentemente ativa rela\u00e7\u00f5es profundas com o desejo, a falta e a autoimagem. 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Questionar a dieta, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m questionar os padr\u00f5es que transformam o cuidado com o corpo em exig\u00eancia moral, deslocando o foco do controle para a escuta, do castigo para o cuidado e da est\u00e9tica para a sa\u00fade integral. Isso \u00e9 o que me parece estar em jogo. Para saber mais:POLIVY, J.; HERMAN, C. P. If dieting makes people fat. American Psychologist, 2002.BORDO, Susan. Unbearable weight. 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