{"id":1451,"date":"2026-04-07T10:19:48","date_gmt":"2026-04-07T13:19:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1451"},"modified":"2026-04-07T10:19:48","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:48","slug":"o-que-acontece-nas-alucinacoes-visuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1451","title":{"rendered":"O que acontece nas alucina\u00e7\u00f5es visuais?"},"content":{"rendered":"\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais, a vis\u00e3o come\u00e7a quando a luz refletida pelos objetos entra nos olhos e atinge a retina. Nela existem c\u00e9lulas sensoriais especializadas, os bastonetes e os cones, que n\u00e3o \u201cveem\u201d imagens prontas, mas convertem a energia luminosa em sinais el\u00e9tricos. Esses sinais seguem pelo nervo \u00f3ptico at\u00e9 o c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio, localizado no lobo occipital, onde ocorre o processamento mais b\u00e1sico da vis\u00e3o, como contornos, contrastes, cores e movimento. A partir da\u00ed, a informa\u00e7\u00e3o visual se distribui para outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro. O lobo temporal participa do reconhecimento do que est\u00e1 sendo visto, como identificar um rosto ou um objeto familiar, enquanto o lobo parietal contribui para a percep\u00e7\u00e3o espacial e para a integra\u00e7\u00e3o da imagem com o corpo e o ambiente. \u00c9 essa rede articulada que permite n\u00e3o apenas \u201cver\u201d, mas compreender o que se v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas alucina\u00e7\u00f5es visuais, esse processo se altera de forma significativa. Em vez de a imagem come\u00e7ar no mundo externo, <strong>o pr\u00f3prio c\u00e9rebro passa a gerar imagens internamente<\/strong>. O ponto crucial \u00e9 que o c\u00f3rtex visual pode ser ativado mesmo na aus\u00eancia de est\u00edmulo luminoso real, funcionando como se estivesse recebendo informa\u00e7\u00f5es vindas dos olhos. Estudos de neuroimagem mostram que, durante alucina\u00e7\u00f5es, \u00e1reas visuais do c\u00e9rebro apresentam padr\u00f5es de ativa\u00e7\u00e3o semelhantes aos observados quando a pessoa est\u00e1 realmente olhando para algo, o que explica por que a experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o v\u00edvida e convincente para quem a vivencia (Silbersweig et al., 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, entra em cena o papel do <strong>sistema dopamin\u00e9rgico<\/strong>. A dopamina est\u00e1 envolvida na atribui\u00e7\u00e3o de <strong>relev\u00e2ncia e significado \u00e0s experi\u00eancias<\/strong>. Quando esse sistema est\u00e1 hiperativo, como ocorre em alguns transtornos psic\u00f3ticos, o c\u00e9rebro passa a atribuir um \u201cpeso de realidade\u201d excessivo a conte\u00fados internos, como imagens mentais, pensamentos ou sensa\u00e7\u00f5es. Assim, aquilo que normalmente seria reconhecido como <strong>imagina\u00e7\u00e3o ou lembran\u00e7a \u00e9 vivido como algo externo, real e inquestion\u00e1vel<\/strong>. Esse mecanismo ajuda a explicar por que as alucina\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o percebidas como falsas pelo indiv\u00edduo, mas como algo que efetivamente est\u00e1 acontecendo no mundo (Howes &amp; Kapur, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, a alucina\u00e7\u00e3o visual n\u00e3o \u00e9 simplesmente \u201cimaginar demais\u201d, mas um fen\u00f4meno neurobiol\u00f3gico complexo em que \u00e1reas cerebrais respons\u00e1veis pela vis\u00e3o s\u00e3o ativadas sem est\u00edmulo externo, enquanto sistemas de atribui\u00e7\u00e3o de significado refor\u00e7am a sensa\u00e7\u00e3o de realidade. O resultado \u00e9 uma experi\u00eancia visual subjetivamente real, embora n\u00e3o corresponda a algo presente no ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>Silbersweig, D. A. et al. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/7477318\/\">A functional neuroanatomy of hallucinations in schizophrenia<\/a>. Nature, v. 378, p. 176\u2013179, 1995.<br>Howes, O. D.; Kapur, S. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/19325164\/\">The dopamine hypothesis of schizophrenia: version III<\/a>. Schizophrenia Bulletin, v. 35, n. 3, p. 549\u2013562, 2009.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais, a vis\u00e3o come\u00e7a quando a luz refletida pelos objetos entra nos olhos e atinge a retina. Nela existem c\u00e9lulas sensoriais especializadas, os bastonetes e os cones, que n\u00e3o \u201cveem\u201d imagens prontas, mas convertem a energia luminosa em sinais el\u00e9tricos. Esses sinais seguem pelo nervo \u00f3ptico at\u00e9 o c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio, localizado no lobo occipital, onde ocorre o processamento mais b\u00e1sico da vis\u00e3o, como contornos, contrastes, cores e movimento. A partir da\u00ed, a informa\u00e7\u00e3o visual se distribui para outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro. O lobo temporal participa do reconhecimento do que est\u00e1 sendo visto, como identificar um rosto ou um objeto familiar, enquanto o lobo parietal contribui para a percep\u00e7\u00e3o espacial e para a integra\u00e7\u00e3o da imagem com o corpo e o ambiente. \u00c9 essa rede articulada que permite n\u00e3o apenas \u201cver\u201d, mas compreender o que se v\u00ea. Nas alucina\u00e7\u00f5es visuais, esse processo se altera de forma significativa. Em vez de a imagem come\u00e7ar no mundo externo, o pr\u00f3prio c\u00e9rebro passa a gerar imagens internamente. O ponto crucial \u00e9 que o c\u00f3rtex visual pode ser ativado mesmo na aus\u00eancia de est\u00edmulo luminoso real, funcionando como se estivesse recebendo informa\u00e7\u00f5es vindas dos olhos. Estudos de neuroimagem mostram que, durante alucina\u00e7\u00f5es, \u00e1reas visuais do c\u00e9rebro apresentam padr\u00f5es de ativa\u00e7\u00e3o semelhantes aos observados quando a pessoa est\u00e1 realmente olhando para algo, o que explica por que a experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o v\u00edvida e convincente para quem a vivencia (Silbersweig et al., 1995). Al\u00e9m disso, entra em cena o papel do sistema dopamin\u00e9rgico. A dopamina est\u00e1 envolvida na atribui\u00e7\u00e3o de relev\u00e2ncia e significado \u00e0s experi\u00eancias. Quando esse sistema est\u00e1 hiperativo, como ocorre em alguns transtornos psic\u00f3ticos, o c\u00e9rebro passa a atribuir um \u201cpeso de realidade\u201d excessivo a conte\u00fados internos, como imagens mentais, pensamentos ou sensa\u00e7\u00f5es. 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Nature, v. 378, p. 176\u2013179, 1995.Howes, O. D.; Kapur, S. The dopamine hypothesis of schizophrenia: version III. Schizophrenia Bulletin, v. 35, n. 3, p. 549\u2013562, 2009.OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35,67,12],"tags":[189,16,188],"class_list":["post-1451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-biologia","category-neuropsicologia","category-psicologia","tag-dopamina","tag-esquizofrenia","tag-psicose"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1451"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1758,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1451\/revisions\/1758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}