{"id":1428,"date":"2026-04-07T10:18:38","date_gmt":"2026-04-07T13:18:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1428"},"modified":"2026-04-07T10:18:38","modified_gmt":"2026-04-07T13:18:38","slug":"como-podemos-explicar-a-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1428","title":{"rendered":"Como podemos explicar a esquizofrenia?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista biol\u00f3gico, Howes e Kapur explicam que, na esquizofrenia, ocorre uma <strong>hiperatividade da dopamina<\/strong> nas vias mesol\u00edmbicas, respons\u00e1veis por atribuir<strong> import\u00e2ncia ou relev\u00e2ncia aos est\u00edmulos<\/strong>. Em condi\u00e7\u00f5es habituais, esse sistema ajuda o c\u00e9rebro a distinguir o que merece aten\u00e7\u00e3o do que \u00e9 irrelevante. Quando ele funciona de forma desregulada, est\u00edmulos neutros (como um ru\u00eddo, um olhar ou um pensamento passageiro) passam a ser vivenciados como carregados de um significado intenso e urgente. Essa atribui\u00e7\u00e3o aberrante faz com que a pessoa tente explicar racionalmente sensa\u00e7\u00f5es estranhas ou excessivamente marcantes, o que pode dar origem a <strong>del\u00edrios<\/strong>, ou que experimente percep\u00e7\u00f5es sem objeto real, como as <strong>alucina\u00e7\u00f5es<\/strong> (Howes &amp; Kapur, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No plano da experi\u00eancia subjetiva, Karl Jaspers descreve que essa altera\u00e7\u00e3o neurobiol\u00f3gica se manifesta como uma <strong>ruptura profunda da fronteira entre o eu e o mundo<\/strong>. Aquilo que normalmente \u00e9 vivido como interno (pensamentos, inten\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es) pode ser experimentado como algo externo ou imposto. O indiv\u00edduo pode sentir que seus pensamentos n\u00e3o lhe pertencem, que s\u00e3o controlados ou comentados por vozes, e que o ambiente ao redor est\u00e1 carregado de sinais ocultos ou amea\u00e7as veladas. O mundo deixa de ser evidente e familiar, tornando-se <strong>enigm\u00e1tico, estranho e frequentemente angustiante<\/strong>. N\u00e3o se trata apenas de \u201cacreditar em coisas falsas\u201d, mas de uma transforma\u00e7\u00e3o radical na forma de estar no mundo e de se reconhecer como sujeito (Jaspers, 1997).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tratamento da esquizofrenia procura atuar nesses diferentes n\u00edveis. Os <strong>antipsic\u00f3ticos<\/strong> t\u00eam como principal efeito <strong>reduzir a hiperatividade dopamin\u00e9rgica<\/strong>, diminuindo a intensidade da atribui\u00e7\u00e3o excessiva de significado e, consequentemente, dos del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es. Contudo, o cuidado n\u00e3o se limita \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. A <strong>psicoterapia<\/strong>, a <strong>reabilita\u00e7\u00e3o psicossocial<\/strong> e o <strong>apoio familiar<\/strong> s\u00e3o fundamentais para ajudar a pessoa a compreender suas experi\u00eancias, reconstruir v\u00ednculos sociais, recuperar autonomia e elaborar um projeto de vida poss\u00edvel. As evid\u00eancias atuais mostram que, com acompanhamento cont\u00ednuo, suporte social e redu\u00e7\u00e3o do estigma, muitas pessoas com esquizofrenia conseguem estabilizar o quadro, estudar, trabalhar e alcan\u00e7ar boa qualidade de vida, rompendo com a ideia hist\u00f3rica de um destino inevitavelmente incapacitante associado ao diagn\u00f3stico (Howes &amp; Kapur, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>HOWES, O. D.; KAPUR, S. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/19325164\/\">The dopamine hypothesis of schizophrenia: version III \u2013 the final common pathway<\/a>. Schizophrenia Bulletin, v. 35, n. 3, p. 549\u2013562, 2009.<br>JASPERS, Karl. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/1lEF1as\">Psicopatologia geral<\/a>. S\u00e3o Paulo: Atheneu, 1997.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do ponto de vista biol\u00f3gico, Howes e Kapur explicam que, na esquizofrenia, ocorre uma hiperatividade da dopamina nas vias mesol\u00edmbicas, respons\u00e1veis por atribuir import\u00e2ncia ou relev\u00e2ncia aos est\u00edmulos. Em condi\u00e7\u00f5es habituais, esse sistema ajuda o c\u00e9rebro a distinguir o que merece aten\u00e7\u00e3o do que \u00e9 irrelevante. Quando ele funciona de forma desregulada, est\u00edmulos neutros (como um ru\u00eddo, um olhar ou um pensamento passageiro) passam a ser vivenciados como carregados de um significado intenso e urgente. 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