{"id":1363,"date":"2026-04-07T10:19:48","date_gmt":"2026-04-07T13:19:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1363"},"modified":"2026-04-07T10:19:48","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:48","slug":"quem-e-silvia-federici","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1363","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Silvia Federici?"},"content":{"rendered":"\n<p>Silvia Federici \u00e9 uma <strong>fil\u00f3sofa, historiadora e ativista feminista<\/strong> que desenvolve uma cr\u00edtica radical ao capitalismo a partir do ponto de vista das mulheres, especialmente do <strong>trabalho reprodutivo<\/strong> e do <strong>controle sobre os corpos femininos<\/strong>. Sua tese central \u00e9 que o capitalismo n\u00e3o se sustenta apenas na explora\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado, mas depende estruturalmente do trabalho reprodutivo n\u00e3o remunerado, realizado majoritariamente por mulheres (Federici, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos conceitos mais importantes de sua obra \u00e9 o de trabalho reprodutivo. Para Federici, cozinhar, limpar, cuidar de crian\u00e7as, idosos e doentes, manter a vida cotidiana e garantir a reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e emocional da for\u00e7a de trabalho <strong>s\u00e3o atividades essenciais \u00e0 economia capitalista<\/strong>, ainda que n\u00e3o sejam reconhecidas como \u201cprodutivas\u201d pelo mercado. Ao n\u00e3o remunerar esse trabalho, o capitalismo reduz seus custos e transfere para as mulheres a responsabilidade pela sustenta\u00e7\u00e3o da vida (Federici, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua obra mais conhecida, Calib\u00e3 e a bruxa, Federici prop\u00f5e uma releitura da origem do capitalismo. Ela argumenta que a chamada acumula\u00e7\u00e3o primitiva n\u00e3o se limitou \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de terras e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o colonial, mas incluiu tamb\u00e9m a <strong>subjuga\u00e7\u00e3o dos corpos das mulheres<\/strong>. As ca\u00e7as \u00e0s bruxas, ocorridas entre os s\u00e9culos XVI e XVII, s\u00e3o interpretadas como um processo pol\u00edtico de disciplinamento feminino, que destruiu saberes comunit\u00e1rios, formas aut\u00f4nomas de reprodu\u00e7\u00e3o da vida e a autonomia das mulheres sobre a sexualidade e a reprodu\u00e7\u00e3o (Federici, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro eixo fundamental de seu pensamento \u00e9 a <strong>cr\u00edtica \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o da maternidade<\/strong> e do cuidado. Federici mostra como o capitalismo transformou capacidades humanas universais \u2014 como cuidar, gerar e manter a vida \u2014 em obriga\u00e7\u00f5es femininas, apresentadas como naturais ou morais. Essa naturaliza\u00e7\u00e3o oculta rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e impede que o trabalho reprodutivo seja reconhecido como trabalho socialmente necess\u00e1rio (Federici, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>Federici tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por sua participa\u00e7\u00e3o no movimento \u201c<strong>Sal\u00e1rios para o trabalho dom\u00e9stico<\/strong>\u201d, que defendia a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o como um fim em si mesmo, mas como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica para tornar vis\u00edvel a explora\u00e7\u00e3o invis\u00edvel das mulheres. Para ela, reivindicar sal\u00e1rio \u00e9 reivindicar reconhecimento pol\u00edtico e poder de negocia\u00e7\u00e3o, desmontando a ideia de que <strong>o cuidado \u00e9 uma d\u00e1diva feminina<\/strong> (Federici, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o pensamento de Federici dialoga com debates contempor\u00e2neos sobre <strong>neoliberalismo, precariza\u00e7\u00e3o e crises do cuidado<\/strong>. Ela argumenta que as pol\u00edticas neoliberais intensificaram a explora\u00e7\u00e3o do trabalho reprodutivo, ao reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos e transferir ainda mais responsabilidades para fam\u00edlias \u2014 e, dentro delas, para as mulheres. Assim, a luta feminista, para Federici, deve estar ligada \u00e0 luta por novas formas de organiza\u00e7\u00e3o social centradas na sustenta\u00e7\u00e3o da vida, e n\u00e3o na acumula\u00e7\u00e3o de capital (Federici, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>FEDERICI, Silvia. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/hmPfEQc\">Calib\u00e3 e a bruxa: mulheres, corpo e acumula\u00e7\u00e3o primitiva<\/a>. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2017.<br>FEDERICI, Silvia. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/4QwGJlb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O ponto zero da revolu\u00e7\u00e3o: trabalho dom\u00e9stico, reprodu\u00e7\u00e3o e luta feminista<\/a>. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2019.<br>FEDERICI, Silvia. <a href=\"https:\/\/autonomistablog.wordpress.com\/2016\/08\/15\/salarios-contra-o-trabalho-domestico-silvia-federici\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sal\u00e1rios contra o trabalho dom\u00e9stico<\/a>. S\u00e3o Paulo: SOF, 2004.<br>MARX, Karl. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/54V3OWU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O capital, livro I<\/a>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Silvia Federici \u00e9 uma fil\u00f3sofa, historiadora e ativista feminista que desenvolve uma cr\u00edtica radical ao capitalismo a partir do ponto de vista das mulheres, especialmente do trabalho reprodutivo e do controle sobre os corpos femininos. Sua tese central \u00e9 que o capitalismo n\u00e3o se sustenta apenas na explora\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado, mas depende estruturalmente do trabalho reprodutivo n\u00e3o remunerado, realizado majoritariamente por mulheres (Federici, 2017). Um dos conceitos mais importantes de sua obra \u00e9 o de trabalho reprodutivo. Para Federici, cozinhar, limpar, cuidar de crian\u00e7as, idosos e doentes, manter a vida cotidiana e garantir a reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e emocional da for\u00e7a de trabalho s\u00e3o atividades essenciais \u00e0 economia capitalista, ainda que n\u00e3o sejam reconhecidas como \u201cprodutivas\u201d pelo mercado. Ao n\u00e3o remunerar esse trabalho, o capitalismo reduz seus custos e transfere para as mulheres a responsabilidade pela sustenta\u00e7\u00e3o da vida (Federici, 2012). Em sua obra mais conhecida, Calib\u00e3 e a bruxa, Federici prop\u00f5e uma releitura da origem do capitalismo. Ela argumenta que a chamada acumula\u00e7\u00e3o primitiva n\u00e3o se limitou \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de terras e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o colonial, mas incluiu tamb\u00e9m a subjuga\u00e7\u00e3o dos corpos das mulheres. As ca\u00e7as \u00e0s bruxas, ocorridas entre os s\u00e9culos XVI e XVII, s\u00e3o interpretadas como um processo pol\u00edtico de disciplinamento feminino, que destruiu saberes comunit\u00e1rios, formas aut\u00f4nomas de reprodu\u00e7\u00e3o da vida e a autonomia das mulheres sobre a sexualidade e a reprodu\u00e7\u00e3o (Federici, 2017). Outro eixo fundamental de seu pensamento \u00e9 a cr\u00edtica \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o da maternidade e do cuidado. Federici mostra como o capitalismo transformou capacidades humanas universais \u2014 como cuidar, gerar e manter a vida \u2014 em obriga\u00e7\u00f5es femininas, apresentadas como naturais ou morais. Essa naturaliza\u00e7\u00e3o oculta rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e impede que o trabalho reprodutivo seja reconhecido como trabalho socialmente necess\u00e1rio (Federici, 2004). Federici tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por sua participa\u00e7\u00e3o no movimento \u201cSal\u00e1rios para o trabalho dom\u00e9stico\u201d, que defendia a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o como um fim em si mesmo, mas como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica para tornar vis\u00edvel a explora\u00e7\u00e3o invis\u00edvel das mulheres. Para ela, reivindicar sal\u00e1rio \u00e9 reivindicar reconhecimento pol\u00edtico e poder de negocia\u00e7\u00e3o, desmontando a ideia de que o cuidado \u00e9 uma d\u00e1diva feminina (Federici, 2012). Por fim, o pensamento de Federici dialoga com debates contempor\u00e2neos sobre neoliberalismo, precariza\u00e7\u00e3o e crises do cuidado. Ela argumenta que as pol\u00edticas neoliberais intensificaram a explora\u00e7\u00e3o do trabalho reprodutivo, ao reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos e transferir ainda mais responsabilidades para fam\u00edlias \u2014 e, dentro delas, para as mulheres. Assim, a luta feminista, para Federici, deve estar ligada \u00e0 luta por novas formas de organiza\u00e7\u00e3o social centradas na sustenta\u00e7\u00e3o da vida, e n\u00e3o na acumula\u00e7\u00e3o de capital (Federici, 2019). Para saber mais:FEDERICI, Silvia. Calib\u00e3 e a bruxa: mulheres, corpo e acumula\u00e7\u00e3o primitiva. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2017.FEDERICI, Silvia. O ponto zero da revolu\u00e7\u00e3o: trabalho dom\u00e9stico, reprodu\u00e7\u00e3o e luta feminista. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2019.FEDERICI, Silvia. Sal\u00e1rios contra o trabalho dom\u00e9stico. S\u00e3o Paulo: SOF, 2004.MARX, Karl. O capital, livro I. 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