{"id":1356,"date":"2026-04-07T10:18:21","date_gmt":"2026-04-07T13:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1356"},"modified":"2026-04-07T10:18:21","modified_gmt":"2026-04-07T13:18:21","slug":"o-que-e-canone-literario-eurocentrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1356","title":{"rendered":"C\u00e2none liter\u00e1rio euroc\u00eantrico?"},"content":{"rendered":"\n<p>Na teoria liter\u00e1ria e nas ci\u00eancias humanas, <strong>c\u00e2none<\/strong> refere-se ao conjunto de obras, autores e textos considerados fundamentais, exemplares ou \u201ccl\u00e1ssicos\u201d dentro de uma determinada tradi\u00e7\u00e3o cultural, liter\u00e1ria ou art\u00edstica. S\u00e3o textos que, ao longo do tempo, passaram a ser <strong>legitimados como modelos<\/strong> de valor est\u00e9tico, intelectual ou moral e, por isso, costumam ocupar um lugar central no ensino, na cr\u00edtica e na hist\u00f3ria liter\u00e1ria (Bloom, 1994).<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e2none <strong>n\u00e3o surge de forma neutra ou espont\u00e2nea.<\/strong> Ele \u00e9 historicamente constru\u00eddo por institui\u00e7\u00f5es como escolas, universidades, academias, editoras e pela cr\u00edtica especializada. Ao selecionar certas obras como \u201cobrigat\u00f3rias\u201d ou \u201csuperiores\u201d, o c\u00e2none estabelece <strong>crit\u00e9rios de valor <\/strong>que refletem rela\u00e7\u00f5es de poder, vis\u00f5es de mundo e contextos sociais espec\u00edficos. Por isso, o que \u00e9 considerado can\u00f4nico em uma \u00e9poca pode ser questionado ou transformado em outra (Williams, 1977).<\/p>\n\n\n\n<p>Na literatura, o <strong>c\u00e2none tradicional ocidental<\/strong> foi formado <strong>majoritariamente por autores homens, brancos e europeus<\/strong>, o que levou te\u00f3ricos contempor\u00e2neos a criticar sua pretensa universalidade. Estudos feministas, p\u00f3s-coloniais e decoloniais argumentam que muitas vozes \u2014 mulheres, pessoas negras, ind\u00edgenas e escritores de regi\u00f5es colonizadas \u2014 foram historicamente exclu\u00eddas do c\u00e2none, n\u00e3o por falta de valor liter\u00e1rio, mas por <strong>desigualdades sociais e pol\u00edticas<\/strong> (Said, 1993; Spivak, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, hoje o c\u00e2none \u00e9 entendido n\u00e3o apenas como uma lista fixa de grandes obras, mas como um campo de <strong>disputa simb\u00f3lica<\/strong>, no qual se discutem crit\u00e9rios de valor, representa\u00e7\u00e3o e legitimidade cultural. Questionar o c\u00e2none n\u00e3o significa negar a import\u00e2ncia dos cl\u00e1ssicos, mas compreender que a literatura \u00e9 plural e que <strong>diferentes tradi\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias tamb\u00e9m produzem obras fundamentais<\/strong> (Eagleton, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p>Um tema contempor\u00e2neo central da teoria liter\u00e1ria \u00e9 o debate sobre a literatura a partir das perspectivas decoloniais, especialmente a <strong>cr\u00edtica ao c\u00e2none liter\u00e1rio euroc\u00eantrico<\/strong> e \u00e0s formas tradicionais de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria liter\u00e1ria contempor\u00e2nea tem questionado a ideia de que existe um <strong>c\u00e2none universal, neutro e esteticamente superior<\/strong>. Autores decoloniais argumentam que o c\u00e2none foi historicamente constru\u00eddo a partir de rela\u00e7\u00f5es de poder coloniais, que privilegiaram produ\u00e7\u00f5es europeias e marginalizaram literaturas africanas, ind\u00edgenas, afro-diasp\u00f3ricas e latino-americanas. Assim, o valor liter\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico e hist\u00f3rico (Said, 1993; Quijano, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a literatura passa a ser analisada como um campo de disputa simb\u00f3lica, no qual narrativas podem tanto reproduzir quanto questionar estruturas de domina\u00e7\u00e3o. A teoria liter\u00e1ria decolonial prop\u00f5e a leitura de textos a partir de seus lugares de enuncia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, considerando quem fala, a partir de onde fala e quais experi\u00eancias hist\u00f3ricas atravessam essa fala. Isso desloca a cr\u00edtica liter\u00e1ria do foco exclusivo na forma para uma an\u00e1lise que articula est\u00e9tica, hist\u00f3ria e poder (Mignolo, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto fundamental desse tema \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o de epistemologias outras, ou seja, <strong>modos de narrar e interpretar que n\u00e3o seguem necessariamente os modelos liter\u00e1rios europeus cl\u00e1ssicos<\/strong>. Oralidade, mem\u00f3ria coletiva, escrita h\u00edbrida, autobiografia e testemunho tornam-se centrais na an\u00e1lise liter\u00e1ria contempor\u00e2nea, especialmente em contextos marcados pela <strong>viol\u00eancia colonial<\/strong>, <strong>pela escravid\u00e3o e pelo silenciamento hist\u00f3rico<\/strong> (Glissant, 1997).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a teoria liter\u00e1ria contempor\u00e2nea discute como a leitura pode funcionar como uma pr\u00e1tica \u00e9tica. Ler textos de autores <strong>historicamente marginalizados<\/strong> implica confrontar sil\u00eancios, rever interpreta\u00e7\u00f5es consagradas e reconhecer que a literatura participa ativamente da constru\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios sociais. Assim, a cr\u00edtica liter\u00e1ria deixa de ser apenas uma t\u00e9cnica de an\u00e1lise textual e passa a ser tamb\u00e9m uma pr\u00e1tica pol\u00edtica de escuta e reconhecimento (Spivak, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o tema contempor\u00e2neo da teoria liter\u00e1ria ligado \u00e0 perspectiva decolonial questiona quem pode falar, quem pode ser lido e quais hist\u00f3rias s\u00e3o consideradas liter\u00e1rias, propondo uma reconfigura\u00e7\u00e3o do c\u00e2none e das formas de leitura \u00e0 luz das desigualdades hist\u00f3ricas globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais: <\/strong><br>BLOOM, Harold. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/j6t129w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O c\u00e2none ocidental<\/a>. Rio de Janeiro: Objetiva, 1994.<br>EAGLETON, Terry. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/d1sZpW5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Teoria da literatura: uma introdu\u00e7\u00e3o<\/a>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2003.<br>SAID, Edward. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/5s1OE3u\">Cultura e imperialismo<\/a>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<br>SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Can the subaltern speak? In: NELSON, Cary; GROSSBERG, Lawrence (orgs.). <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/9IYrPhM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marxism and the interpretation of culture<\/a>. Urbana: University of Illinois Press, 1988.<br>GLISSANT, \u00c9douard. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/aVbygvJ\">Po\u00e9tica da rela\u00e7\u00e3o<\/a>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2011 [1997].<br>WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. GLISSANT, \u00c9douard. <em>Po\u00e9tica da rela\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2011 [1997].<br>MIGNOLO, Walter D. <em>Desobedi\u00eancia epist\u00eamica<\/em>. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2011.<br>QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). <em>A colonialidade do saber<\/em>. Buenos Aires: CLACSO, 2005.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na teoria liter\u00e1ria e nas ci\u00eancias humanas, c\u00e2none refere-se ao conjunto de obras, autores e textos considerados fundamentais, exemplares ou \u201ccl\u00e1ssicos\u201d dentro de uma determinada tradi\u00e7\u00e3o cultural, liter\u00e1ria ou art\u00edstica. S\u00e3o textos que, ao longo do tempo, passaram a ser legitimados como modelos de valor est\u00e9tico, intelectual ou moral e, por isso, costumam ocupar um lugar central no ensino, na cr\u00edtica e na hist\u00f3ria liter\u00e1ria (Bloom, 1994). O c\u00e2none n\u00e3o surge de forma neutra ou espont\u00e2nea. Ele \u00e9 historicamente constru\u00eddo por institui\u00e7\u00f5es como escolas, universidades, academias, editoras e pela cr\u00edtica especializada. Ao selecionar certas obras como \u201cobrigat\u00f3rias\u201d ou \u201csuperiores\u201d, o c\u00e2none estabelece crit\u00e9rios de valor que refletem rela\u00e7\u00f5es de poder, vis\u00f5es de mundo e contextos sociais espec\u00edficos. Por isso, o que \u00e9 considerado can\u00f4nico em uma \u00e9poca pode ser questionado ou transformado em outra (Williams, 1977). Na literatura, o c\u00e2none tradicional ocidental foi formado majoritariamente por autores homens, brancos e europeus, o que levou te\u00f3ricos contempor\u00e2neos a criticar sua pretensa universalidade. Estudos feministas, p\u00f3s-coloniais e decoloniais argumentam que muitas vozes \u2014 mulheres, pessoas negras, ind\u00edgenas e escritores de regi\u00f5es colonizadas \u2014 foram historicamente exclu\u00eddas do c\u00e2none, n\u00e3o por falta de valor liter\u00e1rio, mas por desigualdades sociais e pol\u00edticas (Said, 1993; Spivak, 1988). Assim, hoje o c\u00e2none \u00e9 entendido n\u00e3o apenas como uma lista fixa de grandes obras, mas como um campo de disputa simb\u00f3lica, no qual se discutem crit\u00e9rios de valor, representa\u00e7\u00e3o e legitimidade cultural. Questionar o c\u00e2none n\u00e3o significa negar a import\u00e2ncia dos cl\u00e1ssicos, mas compreender que a literatura \u00e9 plural e que diferentes tradi\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias tamb\u00e9m produzem obras fundamentais (Eagleton, 2003). Um tema contempor\u00e2neo central da teoria liter\u00e1ria \u00e9 o debate sobre a literatura a partir das perspectivas decoloniais, especialmente a cr\u00edtica ao c\u00e2none liter\u00e1rio euroc\u00eantrico e \u00e0s formas tradicionais de interpreta\u00e7\u00e3o. A teoria liter\u00e1ria contempor\u00e2nea tem questionado a ideia de que existe um c\u00e2none universal, neutro e esteticamente superior. Autores decoloniais argumentam que o c\u00e2none foi historicamente constru\u00eddo a partir de rela\u00e7\u00f5es de poder coloniais, que privilegiaram produ\u00e7\u00f5es europeias e marginalizaram literaturas africanas, ind\u00edgenas, afro-diasp\u00f3ricas e latino-americanas. Assim, o valor liter\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico e hist\u00f3rico (Said, 1993; Quijano, 2005). Nesse contexto, a literatura passa a ser analisada como um campo de disputa simb\u00f3lica, no qual narrativas podem tanto reproduzir quanto questionar estruturas de domina\u00e7\u00e3o. A teoria liter\u00e1ria decolonial prop\u00f5e a leitura de textos a partir de seus lugares de enuncia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, considerando quem fala, a partir de onde fala e quais experi\u00eancias hist\u00f3ricas atravessam essa fala. Isso desloca a cr\u00edtica liter\u00e1ria do foco exclusivo na forma para uma an\u00e1lise que articula est\u00e9tica, hist\u00f3ria e poder (Mignolo, 2011). Outro aspecto fundamental desse tema \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o de epistemologias outras, ou seja, modos de narrar e interpretar que n\u00e3o seguem necessariamente os modelos liter\u00e1rios europeus cl\u00e1ssicos. Oralidade, mem\u00f3ria coletiva, escrita h\u00edbrida, autobiografia e testemunho tornam-se centrais na an\u00e1lise liter\u00e1ria contempor\u00e2nea, especialmente em contextos marcados pela viol\u00eancia colonial, pela escravid\u00e3o e pelo silenciamento hist\u00f3rico (Glissant, 1997). Al\u00e9m disso, a teoria liter\u00e1ria contempor\u00e2nea discute como a leitura pode funcionar como uma pr\u00e1tica \u00e9tica. Ler textos de autores historicamente marginalizados implica confrontar sil\u00eancios, rever interpreta\u00e7\u00f5es consagradas e reconhecer que a literatura participa ativamente da constru\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios sociais. Assim, a cr\u00edtica liter\u00e1ria deixa de ser apenas uma t\u00e9cnica de an\u00e1lise textual e passa a ser tamb\u00e9m uma pr\u00e1tica pol\u00edtica de escuta e reconhecimento (Spivak, 1988). Em s\u00edntese, o tema contempor\u00e2neo da teoria liter\u00e1ria ligado \u00e0 perspectiva decolonial questiona quem pode falar, quem pode ser lido e quais hist\u00f3rias s\u00e3o consideradas liter\u00e1rias, propondo uma reconfigura\u00e7\u00e3o do c\u00e2none e das formas de leitura \u00e0 luz das desigualdades hist\u00f3ricas globais. Para saber mais: BLOOM, Harold. O c\u00e2none ocidental. Rio de Janeiro: Objetiva, 1994.EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2003.SAID, Edward. Cultura e imperialismo. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Can the subaltern speak? In: NELSON, Cary; GROSSBERG, Lawrence (orgs.). Marxism and the interpretation of culture. Urbana: University of Illinois Press, 1988.GLISSANT, \u00c9douard. Po\u00e9tica da rela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2011 [1997].WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. GLISSANT, \u00c9douard. Po\u00e9tica da rela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2011 [1997].MIGNOLO, Walter D. Desobedi\u00eancia epist\u00eamica. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2011.QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. 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