{"id":1344,"date":"2026-04-07T10:18:20","date_gmt":"2026-04-07T13:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1344"},"modified":"2026-04-07T10:18:20","modified_gmt":"2026-04-07T13:18:20","slug":"a-persistencia-do-colonialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1344","title":{"rendered":"A persist\u00eancia do colonialismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Um tema contempor\u00e2neo central da Hist\u00f3ria Mundial \u00e9 o processo de <strong>descoloniza\u00e7\u00e3o<\/strong> e a <strong>persist\u00eancia do colonialismo<\/strong> sob novas formas, frequentemente analisado a partir das no\u00e7\u00f5es de neocolonialismo e colonialidade do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>descoloniza\u00e7\u00e3o formal<\/strong>, ocorrida sobretudo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, marcou o fim dos imp\u00e9rios coloniais europeus na \u00c1frica, na \u00c1sia e no Caribe. Diversos povos conquistaram a independ\u00eancia pol\u00edtica e a soberania estatal, alterando profundamente o mapa geopol\u00edtico mundial. No entanto, a historiografia contempor\u00e2nea destaca que o fim do dom\u00ednio colonial direto <strong>n\u00e3o significou o fim das estruturas de domina\u00e7\u00e3o<\/strong> constru\u00eddas ao longo de s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o (Hobsbawm, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o debate hist\u00f3rico atual enfatiza que muitas ex-col\u00f4nias continuaram submetidas a rela\u00e7\u00f5es de <strong>depend\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural<\/strong>. O <strong>controle dos mercados internacionais<\/strong>, a <strong>imposi\u00e7\u00e3o de modelos econ\u00f4micos externos<\/strong>, a <strong>explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais<\/strong> e a <strong>hierarquiza\u00e7\u00e3o racial <\/strong>herdada do per\u00edodo colonial revelam a <strong>perman\u00eancia de assimetrias<\/strong> globais profundas. Esse fen\u00f4meno \u00e9 analisado por autores latino-americanos e africanos como colonialidade, isto \u00e9, a continuidade das l\u00f3gicas coloniais mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia formal dos Estados (Quijano, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>A Hist\u00f3ria Mundial contempor\u00e2nea tamb\u00e9m aborda como essas heran\u00e7as coloniais influenciam conflitos atuais, fluxos migrat\u00f3rios, desigualdades sociais e disputas identit\u00e1rias. Quest\u00f5es como <strong>racismo estrutural<\/strong>, fronteiras artificiais impostas no per\u00edodo colonial, guerras civis e crises humanit\u00e1rias s\u00e3o compreendidas, hoje, como desdobramentos hist\u00f3ricos de processos coloniais mal resolvidos (Mbembe, 2018). Assim, o estudo da descoloniza\u00e7\u00e3o e de suas perman\u00eancias \u00e9 um tema contempor\u00e2neo da hist\u00f3ria mundial porque permite compreender o presente \u00e0 luz de processos hist\u00f3ricos de longa dura\u00e7\u00e3o. Ele desloca a narrativa euroc\u00eantrica tradicional e prop\u00f5e uma leitura cr\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es globais, evidenciando que o passado colonial continua a moldar o mundo atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>HOBSBAWM, Eric. <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/d5Cjjw6\">Era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX (1914\u20131991)<\/a><\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995.<br>MBEMBE, Achille. <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0XHXzwP\">Cr\u00edtica da raz\u00e3o negra<\/a><\/em>. S\u00e3o Paulo: N-1 Edi\u00e7\u00f5es, 2018.<br>QUIJANO, An\u00edbal. <a href=\"http:\/\/www.liberdadeerevolucaopopular.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/49715997-Colonialidade-do-poder-eurocentrismo-e-America-Latina-Anibal-Quijano.pdf\">Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina<\/a>. In: LANDER, Edgardo (org.). <em>A colonialidade do saber<\/em>. Buenos Aires: CLACSO, 2005.<br>SAID, Edward. <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/7JgUGqL\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/a.co\/d\/7JgUGqL\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cultura e imperialismo<\/a><\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um tema contempor\u00e2neo central da Hist\u00f3ria Mundial \u00e9 o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o e a persist\u00eancia do colonialismo sob novas formas, frequentemente analisado a partir das no\u00e7\u00f5es de neocolonialismo e colonialidade do poder. A descoloniza\u00e7\u00e3o formal, ocorrida sobretudo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, marcou o fim dos imp\u00e9rios coloniais europeus na \u00c1frica, na \u00c1sia e no Caribe. Diversos povos conquistaram a independ\u00eancia pol\u00edtica e a soberania estatal, alterando profundamente o mapa geopol\u00edtico mundial. No entanto, a historiografia contempor\u00e2nea destaca que o fim do dom\u00ednio colonial direto n\u00e3o significou o fim das estruturas de domina\u00e7\u00e3o constru\u00eddas ao longo de s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o (Hobsbawm, 1995). Nesse sentido, o debate hist\u00f3rico atual enfatiza que muitas ex-col\u00f4nias continuaram submetidas a rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural. O controle dos mercados internacionais, a imposi\u00e7\u00e3o de modelos econ\u00f4micos externos, a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais e a hierarquiza\u00e7\u00e3o racial herdada do per\u00edodo colonial revelam a perman\u00eancia de assimetrias globais profundas. Esse fen\u00f4meno \u00e9 analisado por autores latino-americanos e africanos como colonialidade, isto \u00e9, a continuidade das l\u00f3gicas coloniais mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia formal dos Estados (Quijano, 2005). A Hist\u00f3ria Mundial contempor\u00e2nea tamb\u00e9m aborda como essas heran\u00e7as coloniais influenciam conflitos atuais, fluxos migrat\u00f3rios, desigualdades sociais e disputas identit\u00e1rias. Quest\u00f5es como racismo estrutural, fronteiras artificiais impostas no per\u00edodo colonial, guerras civis e crises humanit\u00e1rias s\u00e3o compreendidas, hoje, como desdobramentos hist\u00f3ricos de processos coloniais mal resolvidos (Mbembe, 2018). Assim, o estudo da descoloniza\u00e7\u00e3o e de suas perman\u00eancias \u00e9 um tema contempor\u00e2neo da hist\u00f3ria mundial porque permite compreender o presente \u00e0 luz de processos hist\u00f3ricos de longa dura\u00e7\u00e3o. Ele desloca a narrativa euroc\u00eantrica tradicional e prop\u00f5e uma leitura cr\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es globais, evidenciando que o passado colonial continua a moldar o mundo atual. Para saber mais:HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX (1914\u20131991). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995.MBEMBE, Achille. Cr\u00edtica da raz\u00e3o negra. S\u00e3o Paulo: N-1 Edi\u00e7\u00f5es, 2018.QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005.SAID, Edward. Cultura e imperialismo. 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