{"id":1311,"date":"2026-04-07T10:19:36","date_gmt":"2026-04-07T13:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1311"},"modified":"2026-04-07T10:19:36","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:36","slug":"o-que-e-o-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1311","title":{"rendered":"O que \u00e9 o mal?"},"content":{"rendered":"\n<p>Segundo Santo Agostinho, o problema do mal n\u00e3o pode ser resolvido supondo a exist\u00eancia de dois princ\u00edpios opostos (um do bem e outro do mal) como defendia o manique\u00edsmo, doutrina que ele pr\u00f3prio seguiu durante parte da juventude. Ao abandonar essa vis\u00e3o, Agostinho reformula a quest\u00e3o a partir de uma convic\u00e7\u00e3o central: Deus \u00e9 sumamente bom, perfeito e onipotente, e, portanto, n\u00e3o pode ser autor do mal (Confiss\u00f5es, VII).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Agostinho, tudo o que existe foi criado por Deus e, por isso mesmo, \u00e9 bom em sua origem. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o cont\u00e9m o mal como subst\u00e2ncia ou realidade positiva. O mal, portanto, n\u00e3o \u00e9 algo que existe por si, mas uma <strong>priva\u00e7\u00e3o do bem<\/strong> (privatio boni). Assim como a escurid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa em si, mas a aus\u00eancia de luz, o mal surge quando h\u00e1 uma falta, corrup\u00e7\u00e3o ou desordem em algo que foi criado bom (AGOSTINHO, De natura boni).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa explica\u00e7\u00e3o permite a Agostinho resolver o dilema: se Deus criou apenas o bem, o mal n\u00e3o vem de Deus, mas do uso inadequado da liberdade da criatura. No caso dos seres humanos e dos anjos, o mal moral nasce quando a vontade se afasta da ordem do bem maior (Deus) e se volta para bens inferiores de maneira desordenada. O mal n\u00e3o \u00e9, portanto, cria\u00e7\u00e3o, mas desvio (A Cidade de Deus, XII).<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, Santo Agostinho afirma que a bondade da cria\u00e7\u00e3o permanece, mesmo em um mundo marcado pelo sofrimento e pelo pecado. O mal n\u00e3o destr\u00f3i a bondade origin\u00e1ria do ser, mas a fere, a empobrece ou a corrompe. Essa vis\u00e3o preserva, ao mesmo tempo, a bondade de Deus, a responsabilidade humana e a inteligibilidade do mundo criado, sem recorrer a um dualismo metaf\u00edsico.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas: <\/strong><br>AGOSTINHO, Santo. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/78zZ8GF\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/a.co\/d\/78zZ8GF\">Confiss\u00f5es<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de J. Oliveira Santos e A. Ambr\u00f3sio de Pina. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010.<br>AGOSTINHO, Santo. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/3d2yqnC\">A cidade de Deus<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Oscar Paes Leme. 3. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2012.<br>AGOSTINHO, Santo.<a href=\"https:\/\/a.co\/d\/hNbIKw9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Da natureza do bem<\/a> (De natura boni). Tradu\u00e7\u00e3o de Nair de Assis Oliveira. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Santo Agostinho, o problema do mal n\u00e3o pode ser resolvido supondo a exist\u00eancia de dois princ\u00edpios opostos (um do bem e outro do mal) como defendia o manique\u00edsmo, doutrina que ele pr\u00f3prio seguiu durante parte da juventude. Ao abandonar essa vis\u00e3o, Agostinho reformula a quest\u00e3o a partir de uma convic\u00e7\u00e3o central: Deus \u00e9 sumamente bom, perfeito e onipotente, e, portanto, n\u00e3o pode ser autor do mal (Confiss\u00f5es, VII). Para Agostinho, tudo o que existe foi criado por Deus e, por isso mesmo, \u00e9 bom em sua origem. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o cont\u00e9m o mal como subst\u00e2ncia ou realidade positiva. O mal, portanto, n\u00e3o \u00e9 algo que existe por si, mas uma priva\u00e7\u00e3o do bem (privatio boni). Assim como a escurid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa em si, mas a aus\u00eancia de luz, o mal surge quando h\u00e1 uma falta, corrup\u00e7\u00e3o ou desordem em algo que foi criado bom (AGOSTINHO, De natura boni). Essa explica\u00e7\u00e3o permite a Agostinho resolver o dilema: se Deus criou apenas o bem, o mal n\u00e3o vem de Deus, mas do uso inadequado da liberdade da criatura. No caso dos seres humanos e dos anjos, o mal moral nasce quando a vontade se afasta da ordem do bem maior (Deus) e se volta para bens inferiores de maneira desordenada. O mal n\u00e3o \u00e9, portanto, cria\u00e7\u00e3o, mas desvio (A Cidade de Deus, XII). Desse modo, Santo Agostinho afirma que a bondade da cria\u00e7\u00e3o permanece, mesmo em um mundo marcado pelo sofrimento e pelo pecado. O mal n\u00e3o destr\u00f3i a bondade origin\u00e1ria do ser, mas a fere, a empobrece ou a corrompe. Essa vis\u00e3o preserva, ao mesmo tempo, a bondade de Deus, a responsabilidade humana e a inteligibilidade do mundo criado, sem recorrer a um dualismo metaf\u00edsico. Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas: AGOSTINHO, Santo. Confiss\u00f5es. Tradu\u00e7\u00e3o de J. Oliveira Santos e A. Ambr\u00f3sio de Pina. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010.AGOSTINHO, Santo. A cidade de Deus. Tradu\u00e7\u00e3o de Oscar Paes Leme. 3. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2012.AGOSTINHO, Santo.Da natureza do bem (De natura boni). Tradu\u00e7\u00e3o de Nair de Assis Oliveira. 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