{"id":1051,"date":"2026-04-07T10:19:36","date_gmt":"2026-04-07T13:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1051"},"modified":"2026-04-07T10:19:36","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:36","slug":"foucault-vigiar-e-punir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1051","title":{"rendered":"Sobre o que fala &#8216;Vigiar e punir&#8217;?"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group is-style-default has-heading-font-family\" style=\"font-size:20px;line-height:2.2\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"is-style-default\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"is-style-default\">Em Vigiar e Punir (1975), Michel Foucault analisa a transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das formas de poder e de puni\u00e7\u00e3o nas sociedades ocidentais, mostrando como o controle social deixou de se apoiar principalmente na viol\u00eancia f\u00edsica expl\u00edcita para operar por meio de mecanismos sutis, cont\u00ednuos e internalizados de vigil\u00e2ncia e disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"is-style-default\">Foucault inicia a obra contrastando dois modelos de puni\u00e7\u00e3o. No Antigo Regime, a pena era p\u00fablica, corporal e espetacular: o supl\u00edcio servia para reafirmar o poder soberano por meio do sofrimento vis\u00edvel do condenado. A partir do final do s\u00e9culo XVIII, esse modelo entra em decl\u00ednio e \u00e9 substitu\u00eddo por um novo regime punitivo, que n\u00e3o abandona a puni\u00e7\u00e3o, mas a reorganiza. O foco deixa de ser o corpo e passa a ser a alma, o comportamento e a conduta dos indiv\u00edduos. A pris\u00e3o, nesse contexto, surge como a forma exemplar desse novo modo de punir (Foucault, 1975).O autor mostra que essa mudan\u00e7a est\u00e1 ligada ao nascimento do que ele chama de <strong>poder disciplinar<\/strong>. Esse poder n\u00e3o atua de forma concentrada, como o poder do soberano, mas se dissemina em m\u00faltiplas institui\u00e7\u00f5es (escolas, quart\u00e9is, f\u00e1bricas, hospitais e pris\u00f5es) organizando o tempo, o espa\u00e7o e os gestos dos indiv\u00edduos. A disciplina produz corpos \u201cd\u00f3ceis e \u00fateis\u201d: pessoas que aprendem a obedecer, a se autocontrolar e a se ajustar \u00e0s normas sociais sem a necessidade constante de coer\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"is-style-default\">Um dos conceitos centrais da obra \u00e9 o panoptismo, inspirado no projeto arquitet\u00f4nico do Pan\u00f3ptico de Jeremy Bentham. Trata-se de <strong>um modelo de vigil\u00e2ncia no qual o indiv\u00edduo nunca sabe se est\u00e1 sendo observado, mas passa a se comportar como se estivesse o tempo todo sob olhar<\/strong>. Para Foucault, o panoptismo \u00e9 uma met\u00e1fora do funcionamento do poder moderno: um poder que se torna mais eficaz justamente por ser <strong>invis\u00edvel<\/strong> e por induzir a internaliza\u00e7\u00e3o da vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"is-style-default\">Al\u00e9m disso, Vigiar e Punir mostra como o sistema penal se articula com saberes cient\u00edficos, especialmente a criminologia, a psiquiatria e a psicologia. O crime deixa de ser visto apenas como um ato jur\u00eddico e passa a ser interpretado como express\u00e3o de uma personalidade desviada. Assim, n\u00e3o se julga apenas o que o indiv\u00edduo fez, mas quem ele \u00e9, instaurando uma l\u00f3gica de normaliza\u00e7\u00e3o que separa o normal do anormal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"is-style-default\">Em s\u00edntese, Vigiar e Punir revela, portanto, que o poder moderno n\u00e3o se exerce apenas por meio da repress\u00e3o, mas pela produ\u00e7\u00e3o de saberes, normas e <strong>subjetividades<\/strong>.<\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>FOUCAULT, Michel. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/eWrH4uc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vigiar e Punir: nascimento da pris\u00e3o<\/a>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1975.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Vigiar e Punir (1975), Michel Foucault analisa a transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das formas de poder e de puni\u00e7\u00e3o nas sociedades ocidentais, mostrando como o controle social deixou de se apoiar principalmente na viol\u00eancia f\u00edsica expl\u00edcita para operar por meio de mecanismos sutis, cont\u00ednuos e internalizados de vigil\u00e2ncia e disciplina. Foucault inicia a obra contrastando dois modelos de puni\u00e7\u00e3o. No Antigo Regime, a pena era p\u00fablica, corporal e espetacular: o supl\u00edcio servia para reafirmar o poder soberano por meio do sofrimento vis\u00edvel do condenado. 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Um dos conceitos centrais da obra \u00e9 o panoptismo, inspirado no projeto arquitet\u00f4nico do Pan\u00f3ptico de Jeremy Bentham. Trata-se de um modelo de vigil\u00e2ncia no qual o indiv\u00edduo nunca sabe se est\u00e1 sendo observado, mas passa a se comportar como se estivesse o tempo todo sob olhar. Para Foucault, o panoptismo \u00e9 uma met\u00e1fora do funcionamento do poder moderno: um poder que se torna mais eficaz justamente por ser invis\u00edvel e por induzir a internaliza\u00e7\u00e3o da vigil\u00e2ncia. Em s\u00edntese, Vigiar e Punir revela, portanto, que o poder moderno n\u00e3o se exerce apenas por meio da repress\u00e3o, mas pela produ\u00e7\u00e3o de saberes, normas e subjetividades. Para saber mais:FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da pris\u00e3o. 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