{"id":1023,"date":"2026-04-07T10:19:36","date_gmt":"2026-04-07T13:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1023"},"modified":"2026-04-07T10:19:36","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:36","slug":"o-que-significa-decolonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1023","title":{"rendered":"O que significa decolonial?"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p>O termo decolonial refere-se a um campo cr\u00edtico de pensamento e pr\u00e1tica que busca questionar, denunciar e superar os efeitos persistentes do colonialismo nas formas de conhecer, viver, sentir e se relacionar no mundo, mesmo ap\u00f3s o fim formal da domina\u00e7\u00e3o colonial. De modo geral, o pensamento decolonial parte da ideia de que a coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encerrou com a independ\u00eancia pol\u00edtica dos pa\u00edses colonizados. Ela continua operando por meio daquilo que autores chamam de colonialidade \u2014 isto \u00e9, um conjunto de hierarquias e normas que organizam o mundo a partir de par\u00e2metros europeus, apresentados como universais e superiores (QUIJANO, 2005). <br><br>Nesse sentido, o decolonial prop\u00f5e:<br><br><strong>Descolonizar o saber<\/strong>: questionar a centralidade do conhecimento europeu e valorizar saberes ind\u00edgenas, africanos, populares e perif\u00e9ricos, historicamente silenciados (SANTOS, 2007).<br><strong>Descolonizar o ser<\/strong>: enfrentar os impactos subjetivos da coloniza\u00e7\u00e3o, como a inferioriza\u00e7\u00e3o, a desumaniza\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o de identidades n\u00e3o europeias (MALDONADO-TORRES, 2007).<br><strong>Descolonizar o poder<\/strong>: criticar as estruturas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais que reproduzem desigualdades raciais, culturais e epist\u00eamicas herdadas do colonialismo (QUIJANO, 2005).<br><strong>Descolonizar os afetos e as rela\u00e7\u00f5es<\/strong>: repensar formas de amar, cuidar e se vincular que foram moldadas por l\u00f3gicas coloniais de posse, controle e hierarquiza\u00e7\u00e3o, como discute Geni N\u00fa\u00f1ez (2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o decolonial n\u00e3o \u00e9 apenas uma teoria, mas uma postura \u00e9tica e pol\u00edtica que busca abrir espa\u00e7o para outras formas de existir, conhecer e se relacionar, rompendo com a ideia de que h\u00e1 um \u00fanico modo \u201ccorreto\u201d ou \u201cuniversal\u201d de viver.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>QUIJANO, An\u00edbal. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/iO93cF3\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/a.co\/d\/iO93cF3\">Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina<\/a>. In: LANDER, Edgardo (org.). <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0GthESb\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/a.co\/d\/0GthESb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A colonialidade do saber: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais<\/a>. Buenos Aires: CLACSO, 2005.<br>SANTOS, Boaventura de Sousa. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0101-33002007000300004\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0101-33002007000300004\">Para al\u00e9m do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes<\/a>. Novos Estudos CEBRAP, n. 79, 2007.<br>MALDONADO-TORRES, Nelson. <a href=\"https:\/\/www.udesc.br\/arquivos\/ceart\/id_cpmenu\/5800\/MALDONADO_Torres_ON_THE_COLONIALITY_OF_BEING_1550515847301_5800.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">On the coloniality of being<\/a>. Cultural Studies, v. 21, n. 2\u20133, 2007.<br>N\u00da\u00d1EZ, Geni. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/378qI9F\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/a.co\/d\/378qI9F\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Descolonizando afetos: experimenta\u00e7\u00f5es sobre outras formas de amar<\/a>. S\u00e3o Paulo: Planeta, 2023.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo decolonial refere-se a um campo cr\u00edtico de pensamento e pr\u00e1tica que busca questionar, denunciar e superar os efeitos persistentes do colonialismo nas formas de conhecer, viver, sentir e se relacionar no mundo, mesmo ap\u00f3s o fim formal da domina\u00e7\u00e3o colonial. De modo geral, o pensamento decolonial parte da ideia de que a coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encerrou com a independ\u00eancia pol\u00edtica dos pa\u00edses colonizados. Ela continua operando por meio daquilo que autores chamam de colonialidade \u2014 isto \u00e9, um conjunto de hierarquias e normas que organizam o mundo a partir de par\u00e2metros europeus, apresentados como universais e superiores (QUIJANO, 2005). Nesse sentido, o decolonial prop\u00f5e: Descolonizar o saber: questionar a centralidade do conhecimento europeu e valorizar saberes ind\u00edgenas, africanos, populares e perif\u00e9ricos, historicamente silenciados (SANTOS, 2007).Descolonizar o ser: enfrentar os impactos subjetivos da coloniza\u00e7\u00e3o, como a inferioriza\u00e7\u00e3o, a desumaniza\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o de identidades n\u00e3o europeias (MALDONADO-TORRES, 2007).Descolonizar o poder: criticar as estruturas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais que reproduzem desigualdades raciais, culturais e epist\u00eamicas herdadas do colonialismo (QUIJANO, 2005).Descolonizar os afetos e as rela\u00e7\u00f5es: repensar formas de amar, cuidar e se vincular que foram moldadas por l\u00f3gicas coloniais de posse, controle e hierarquiza\u00e7\u00e3o, como discute Geni N\u00fa\u00f1ez (2023). Assim, o decolonial n\u00e3o \u00e9 apenas uma teoria, mas uma postura \u00e9tica e pol\u00edtica que busca abrir espa\u00e7o para outras formas de existir, conhecer e se relacionar, rompendo com a ideia de que h\u00e1 um \u00fanico modo \u201ccorreto\u201d ou \u201cuniversal\u201d de viver. Para saber mais:QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005.SANTOS, Boaventura de Sousa. Para al\u00e9m do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos Estudos CEBRAP, n. 79, 2007.MALDONADO-TORRES, Nelson. On the coloniality of being. Cultural Studies, v. 21, n. 2\u20133, 2007.N\u00da\u00d1EZ, Geni. Descolonizando afetos: experimenta\u00e7\u00f5es sobre outras formas de amar. 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